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Ser o melhor: pra quê?

By 16 de maio de 2018 No Comments

                Quando comecei o projeto da Kiwi, desenhei a Visão (diretriz estratégica mãe da marca) com a seguinte frase: Ser a melhor marca de saúde e bem-estar do Brasil. Creio que fui influenciado pelas receitas prontas que o mercado e as instituições de ensino nos oferecem: “Para ser bem sucedido no mercado, você precisa ser o melhor”. Acabei, inconscientemente, acreditando nisso e copiando de algum livro.

                Depois de alguns anos aquela frase começou a me incomodar.  Comecei a perceber que aquela diretriz não fazia sentido. Qual era a graça de ser a melhor marca? Qual era o prazer em ser considerado melhor que outro restaurante (até mais competente e mais amadurecido que o meu)? Quais seriam os critérios usados para estabelecer que a Kiwi é melhor que alguém? Quais os critérios usados pelos prêmios oferecidos pelo mercado?. Minha graça estava em fazer uma marca legal, uma empresa na qual os colaboradores enxergassem sentido, uma franquia que franqueados pudessem realizar sonhos e uma loja na qual pessoas pudessem frequentar e se sentirem felizes. Essa era a graça. E te pergunto? Onde “ser o melhor” se encaixava nessa graça?

                Já estava encucado com essa Visão quando a Kiwi foi classificada a melhor franquia saudável por dois anos no anuário de Franquias da Pequenas Empresas e Grandes Negócios. Foi maravilhoso ver uma empresa tão nova, numa crise tão feia, ter tido esse reconhecimento. Foi um atestado de um trabalho sério, ficamos super felizes, mas… e daí? O sentimento de ser o melhor em um ranking não mudava nada. Não teve sentimento de “o jogo tá ganho” ou que estava tudo resolvido. Não. O sentimento foi sempre de “precisamos fazer mais”, “precisamos fazer diferente”, “precisamos ser criativos”, “não podemos nos acomodar” e por aí vai.

                Fiquei com essa questão na cabeça até que, na reunião de planejamento estratégico para 2018, nasceu um novo valor na empresa: Não queremos ser melhores que ninguém, queremos ser diferentes. E o que ganhamos com isso? Te respondo: Energia boa. Quando queremos ser melhores que alguém, geramos no inconsciente um senso de competição. Competição gera um sentimento de passar por cima do outro ou torcer para que o outro não vá bem. Jogar esse tipo de energia para o mundo, acaba voltando na gente. Eu quero mais é que todo mundo se dê bem. Se todo restaurante saudável for bem, cresce o número de consumidores, cresce o mercado, barateia insumo, amplia a demanda por novos negócios e as pessoas têm maiores possibilidades de ter mais saúde e viverem mais felizes.

                O planeta pressiona para que você seja a melhor startup, melhor franquia, o melhor salão de beleza, o melhor esportista, o melhor isso, o melhor aquilo. Creio que todos nós vivemos essa pressão de “tem que ser o melhor”. Mas eu te pergunto: Ser melhor que o outro nos leva a que?  Na minha opinião, não leva a nada. Pelo contrário, nos faz gastar energia olhando para o lado, quando deveríamos olhar para frente. Olhar para frente significa fazer diferente, tentar agradar o cliente ou se posicionar no mercado de forma verdadeira, autoral e alinhada com valores que uma empresa acredita. Imagine se existisse um mercado onde o concorrente desejasse seu bem? Onde todos lutassem pela prosperidade e que torcesse para todos consigam sua fatia do bolo? Pode parecer utopia, mas acredito nisso.

                É bom dizer que não querer ser o melhor não significa querer ser ruim. Acredito que um negócio só sobrevive com a dose certa de razão, amor e ambição (não ganância). Para permanecer vivo enquanto empresa, é preciso ter a excelência como hábito. Ser excelente não é ser melhor que o outro, é ter o hábito de fazer sempre bem (atender bem, cuidar da imagem da marca, cuidar da gestão financeira, etc.). Fazendo isso, o cliente também vai te escolher para comprar. E para comprar com você, não precisa deixar de comprar com o outro. O mar é para todos.

 

“O melhor surfista é aquele que mais se diverte”

Duke Kahanamoku

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